Segundo a tradição, a Igreja tem por costume dedicar o Sábado a Nossa Senhora é pelo fato de ter sido no primeiro Sábado Santo, que Ela viveu sem ter Jesus vivo. Esse dia foi considerado o Sábado da solidão, do deserto, da morte e do luto. Foi o dia em que Maria Santíssima chorou e sofreu pela ausência de seu Filho.

Podemos pensar que foi no sábado que precedeu a Ressurreição de Jesus que a Virgem Maria viveu o mistério da dor, profetizado por Simeão: “Uma espada de dor transpassará tua alma” (Lc 2,35). Entretanto, Ela manteve-se firme na fé, com esperança inabalável em seu Doloroso e Imaculado Coração, aguardando a Ressurreição d’Ele. De acordo com a Exortação Apostólica Marialis cultus sobre o Culto da Virgem Santíssima na Liturgia:

“Não se deve esquecer, por outro lado, que o Calendário romano geral não registra todas as celebrações de conteúdo mariano: é ao Calendário particular que compete recolher, com fidelidade as normas litúrgicas mas também com cordial adesão, as festas marianas próprias das diversas Igrejas locais. E falta ainda acenar à possibilidade de uma comemoração litúrgica frequente da Virgem Santíssima, mediante o recurso à memória de Santa Maria “in Sabbato”: memória antiga e discreta, que a flexibilidade do Calendário atual e a multiplicidade de formulários do Missal tornam extremamente fácil e variada.”

Com o passar do tempo, muitos fiéis passaram a celebrar o dia de sábado com muitos atos de piedade cristã, em honra da Virgem Santíssima, tais como: recitando as “Mil Ave-Marias”, rezando o terço em família e o Ofício da Imaculada Conceição, indo à Missa, recebendo a Eucaristia, realizando obras de amor ao próximo.

Nas aparições de 13 de junho e 13 de julho de 1917, Nossa Senhora de Fátima, chamou a atenção de Lúcia para o costume de dedicar os sábados em Sua honra e rezar o terço em reparação: “Jesus quer estabelecer no mundo a devoção do meu Imaculado Coração”. Depois os três pastorinhos viram Nossa Senhora tendo em sua mão direita um coração cercado de espinhos. Compreenderam que era o Coração Imaculado de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que pedia reparação.

“Se fizerem o que vou vos dizer, muitas almas serão salvas e haverá paz. […] Voltarei para pedir a consagração da Rússia ao meu Coração Imaculado e a devoção reparadora dos primeiros sábados (de cada mês).”Honrar Nossa Senhora especialmente nos sábados vem nos recordar que a Mãe de Deus quer nos apontar a direção de seu Filho que é o Senhor dos nossos dias e todos os outros dias da semana.

Nossa Senhora da Solidão, rogai por nós!

Fontes consultadas:

– Bíblia Sagrada Ave Maria – Edição Pastoral.

– Exortação Apostólica Marialis cultus do Santo Padre Paulo Vi para a reta ordenação e desenvolvimento do culto à bem-aventurada Virgem Maria.

– SÁ FREIRE, Rita de : Mensagem de Nossa Senhora de Fátima: O plano Divino de Paz e Salvação. Ed. Petrus, 2011. São Paulo – SP.

– Catecismo da Igreja Católica

– Pe. Antonio Lorenzatto, Livro da Família 1997.

-https://www.mariadesatadoradosnos.com.br/o-dia-de-nossasenhora/

Rita de Sá Freire

Associada da Academia Marial de Aparecida

www.nospassosdemaria.com.br

nospassosdemaria@gmail.com

 

Em que consiste a devoção dos cinco primeiros sábados do …

 

Em 1917, Nossa Senhora apareceu aos três pastorinhos de Fátima e, entre promessas e segredos, alguns revelados há pouco tempo, a Virgem prometeu a Lúcia que ela viveria muito tempo, a fim de propagar no mundo a devoção ao Seu Imaculado Coração.De fato, no dia 10 de dezembro de 1925, Nossa Senhora apareceu à irmã Lúcia, junto com o menino Jesus, e ensinou-lhe a prática dos cinco primeiros sábados do mês em desagravo às ofensas cometidas contra a Sua dignidade.Para entender por que se deve desagravar o Coração de Maria, é preciso entender que a gravidade de uma ofensa é proporcional à dignidade da pessoa que se ofende. Certos pecados são considerados muito mais graves, pois atingem pessoas que nos amam de forma especial e às quais devemos, portanto, uma honra maior. É o caso dos pecados cometidos contra os pais, que são proibidos pelo quarto mandamento: “Honrar pai e mãe”.Se é grande a dignidade dos nossos pais terrestres, quanto maior é a dignidade da Virgem Maria, nossa Mãe celeste! Santo Tomás de Aquino chega a dizer que, bem “a beata Virgem, por ser a Mãe de Deus, tem uma certa dignidade infinita, proveniente do bem infinito, que é Deus” [1]. É assim porque Maria Santíssima está em uma ordem diferente daquela em que estão todas as outras criaturas. Nós, se na amizade com Deus, estamos na ordem da graça; os santos e os anjos estão na ordem da glória; a Virgem Maria, no entanto, está no mistério da “união hipostática”: tendo gerado a humanidade de Nosso Senhor, que é Deus, com razão ela é chamada Mãe de Deus, “habent quandam dignitatem infinitam – dignidade de certo modo infinita”. Por isso, quando se ofende a Nossa Senhora, cria-se uma imensa desordem no mundo, porque se deixa de reconhecer as maravilhas que Deus fez em Si [2].Mas, por que cinco sábados em honra à Virgem de Fátima? Anos mais tarde, em 1930, a pedido de um de seus confessores, a irmã Lúcia explicou que são cinco os sábados desta devoção porque são também cinco as principais ofensas cometidas contra a dignidade de Nossa Senhora: primeiro, as cometidascontra a Sua Imaculada Conceição; segundo, as contra a Sua virgindade; terceiro, as contra a Sua maternidade divina; quarto, as ofensas de quem ensina crianças a desprezarem e terem ódio da Virgem; e, quinto, as ofensas feitas a ícones de Nossa Senhora.Para reparar essas ofensas – que atingem a dignidade de certo modo infinita de Maria e a própria majestade de Deus –, no entanto, é necessária a ajuda divina. Por isso Nossa Senhora aparece à irmã Lúcia e lhe indica o que os homens devem fazer para desagravar o Seu Coração:

“Olha, minha filha, o Meu Coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Me cravam, com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de Me consolar e diz que todos aqueles que durante 5 meses, ao 1.º sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um Terço e Me fizerem 15 minutos de companhia meditando nos 15 mistérios do Rosário, com o fim de Me desagravar, Eu prometo assistir-lhes, na hora da morte, com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas.” [3]

Em outra ocasião, a irmã Lúcia:

“Apresentou a Jesus a dificuldade que tinham algumas almas em se confessar ao sábado e pediu para ser válida a confissão de 8 dias. Jesus respondeu:”
“- Sim, pode ser de muitos mais ainda, contanto que, quando Me receberem, estejam em graça e que tenham a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria.”
“Ela perguntou:”
“- Meu Jesus, as que se esquecerem de formar essa intenção?”
“Jesus respondeu:”
“- Podem formá-la na outra confissão seguinte, aproveitando a 1.ª ocasião que tiverem de se confessar.” [4]

A Virgem Santíssima pede à humanidade este ato de desagravo pois sabe o mal que é causado no mundo quando se ofende o Seu Imaculado Coração. Tem consciência, ao mesmo tempo, do imenso bem que recebem as almas que prestam a devida veneração a Si, de tal modo que, assim como o quarto mandamento é acompanhado da promessa de longevidade – “Honra teu pai e tua mãe para que teus dias se prolonguem sobre a terra que te dá o Senhor, teu Deus” [5] –, a honra à Mãe de Deus, muito mais que a prosperidade terrena, alcança a salvação eterna.

 

Fonte: padrepauloricardo.org 

Referencias:

  1. Suma Teológica, I, q. 25, a. 6, ad 4
  2. Cf. Lc 1, 48-49
  3. Memórias da Irmã Lúcia, p. 192
  4. Ibidem, p. 193
  5. Ex 20, 12