DIA  4 – SÁBADO

1ª SEMANA DO ADVENTO*

(roxo, pref. do Advento I, – ofício do dia)

Vinde, Senhor, que estais acima dos querubins; mostrai-nos a vossa face e seremos salvos (Sl 79,4.2).

 

Diante dos sofrimentos vividos pelo povo, a liturgia anuncia tempos de consolação, prosperidade e alegria. Confiemos no Senhor, nosso Deus, que se compadece de nós e nos socorre em nossas aflições.

 

Primeira Leitura: Isaías 30,19-21.23-26

Leitura do livro do profeta Isaías – Assim fala o Senhor, o santo de Israel: 19“Povo de Sião, que habitas em Jerusalém, não terás motivo algum para chorar: ele se comoverá à voz do teu clamor; logo que te ouvir, ele atenderá. 20O Senhor decerto dará a todos o pão da angústia e a água da aflição, não se apartará mais de ti o teu mestre; teus olhos poderão vê-lo 21e teus ouvidos poderão ouvir a palavra de aviso atrás de ti: ‘O caminho é este para todos, segui por ele, sem desviar-vos à direita ou à esquerda’. 23Ele te dará chuva para a semente que tiveres semeado na terra, e o fruto da terra será abundante e rico; nesse dia, o teu rebanho pastará em vastas pastagens, 24teus bois e os animais que lavram a terra comerão forragem salgada, limpa com pá e peneira. 25Haverá em toda montanha alta e em toda colina elevada arroios de água corrente, num dia em que muitos serão mortos com o desabamento de seus torreões. 26A lua brilhará como a luz do sol, e o sol brilhará sete vezes mais, como a luz de sete dias, no dia em que o Senhor curar a ferida de seu povo e fizer sarar a lesão de sua chaga”. – Palavra do Senhor.

 

Salmo Responsorial: 146(147A)

Felizes são aqueles que esperam no Senhor!

1. Louvai o Senhor Deus, porque ele é bom,  cantai ao nosso Deus, porque é suave: / ele é digno de louvor, ele o merece! / O Senhor reconstruiu Jerusalém / e os dispersos de Israel juntou de novo. – R.

2. Ele conforta os corações despedaçados, / ele enfaixa suas feridas e as cura; / fixa o número de todas as estrelas / e chama a cada uma por seu nome. – R.

3. É grande e onipotente o nosso Deus, / seu saber não tem medida nem limites. / O Senhor Deus é o amparo dos humildes, / mas dobra até o chão os que são ímpios. – R.

 

Evangelho: Mateus 9,35-10,1.6-8

Aleluia, aleluia, aleluia.

É o Senhor nosso juiz e nosso rei. / O Senhor legislador nos salvará (Is 33,22). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, 35Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade. 36Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: 37“A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. 38Pedi, pois, ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!” 10,1E, chamando os seus doze discípulos, deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus e para curarem todo tipo de doença e enfermidade. Enviou-os com as seguintes recomendações: 6“Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! 7Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos céus está próximo’. 8Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar!” – Palavra da salvação.

 

Meditações

Proclame a Palavra de Deus na sua casa

“Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, pregando o evangelho do Reino, e curando todo tipo de doença e enfermidade” (Mateus 9,35).

A ação de Jesus no meio de nós é anunciar o Evangelho, é pregar a Palavra de Deus, é curar nossas doenças e enfermidades. É por isso que o Reino de Deus está no meio de nós, porque a Palavra tem poder de cura, tem poder de ressurreição, tem poder de libertação. É por isso que nós precisamos ouvi-la, precisamos nos encher dela, precisamos nos voltar, de todo o coração, para a Palavra do Senhor, para que ela entre em nós, para que ela esteja impregnada em nós, para que nós a levemos também aos corações doentes, enfermos, sofridos, machucados, dilacerados e nas trevas.

Jesus deu aos Seus o poder de expulsar os demônios, os espíritos malignos; Jesus deu poder de cura, porque é na Palavra d’Ele que o Reino acontece.

Percorra a sua família com a força da Palavra de Deus, porque Ele quer famílias curadas, saradas e libertas no Seu nome

Olhe para a sua casa, olhe para a sua família… Quantas palavras mal ditas são proclamados na sua casa, brigas, confusões, imperativos que vêm de filmes, de novelas e da mentalidade mundana! Por isso que a nossa família não é curada, não é liberta; e, muitas vezes, não vive na graça porque houve tantas coisas malditas deste mundo.

Antes de percorrer qualquer lugar para anunciar, para proclamar, para falar de Jesus, percorra a sua própria casa, o espaço que ela tem, os cômodos que ela tem, e proclame a Palavra de Deus na sua casa, proclame a Palavra de Deus no quarto dos seus filhos, proclame a Palavra de Deus no seu quarto de casal.

Que bênção é o casamento alicerçado na Palavra de Deus! Que bênção é o casamento onde marido, mulher, onde os esposos se alimentam, nutrem-se da Palavra de Deus! É um casamento curado, é um casamento sarado, é um casamento sadio, as forças malignas não penetram nesse lar, não penetram nessa casa, porque ela está cercada pela Palavra. Mas precisamos reconhecer  que nossos casamentos, muitas vezes, são frágeis, e muitos, inclusive, estão doentes. É preciso reconhecer que nossas famílias estão frágeis. E onde elas se fortalecem? Não tenho outro remédio para lhe dar, a não ser o que Jesus deu para os Seus. Ele percorria as cidades, os povoados, se pudesse, nas casas ele entrava; onde estavam os doentes, onde estavam os enfermos, para levar a força da Palavra de Deus para expulsar aqueles espíritos malignos, perversos, enganadores que você está vendo que, muitas vezes, está invadindo as nossas casas.

Os espíritos maus que causam intriga, fofoca, gritaria, acusações, aqueles espíritos terríveis que levam as pessoas, dentro da própria casa, a viverem no ressentimento, na mágoa, no rancor, na acusação de um contra o outro. Esses espíritos precisam ser exorcizados e expulsos da nossa casa. Por isso, como Jesus percorria as Suas cidades e povoados, por favor, percorra a sua casa, percorra a sua família com a força da Palavra de Deus, porque Deus quer famílias curadas, saradas e libertas no Seu nome.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

 


Jesus continua seu trajeto missionário, proclamando a Boa Notícia do Reino. Vendo a situação do povo doente, angustiado e abandonado, teve compaixão. Diante de tantas necessidades do povo, Jesus reconhece que sozinho não consegue dar conta; por isso, chama homens e mulheres disponíveis e generosos que o auxiliem na missão. Vendo a situação de abandono do povo, Jesus “encheu-se de compaixão”. O seguidor de Jesus precisa ter um olhar semelhante ao dele: olhar para os pobres e abandonados, os verdadeiros destinatários do Evangelho. Seguindo o Mestre, aprendemos dele a olhar as multidões, abrir-nos aos outros. O centro de nossa missão é o outro, sobretudo as multidões que andam como ovelhas sem pastor. Enquanto discípulos, aprendemos com o Mestre, mas precisamos ir além, ser apóstolos, ou seja, enviados em missão.

 

Oração

 

Ó Jesus, divino Mestre, admirável é teu zelo pelo Reino de Deus. Percorres cidades e povoados, ensinas nas sinagogas e curas toda sorte de enfermidades. Recomendas, ainda, que peçamos ao Pai muitos trabalhadores para tua imensa obra. Aumenta, Senhor, o nosso entusiasmo pelo Evangelho. Amém.

Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp

 


SANTO DO DIA

São João Damasceno

Lembremos São João Damasceno, um santo Padre e Doutor da Igreja de Cristo. Nasceu em 675, em Damasco (Síria), num período em que o Cristianismo tinha uma certa liberdade, tanto assim que o pai de João era muito cristão e amigo dos Sarracenos, os quais, naquela época, eram senhores do país. Essa estima estendia-se também ao filho. Os raros talentos e méritos deste levaram o Califa a distingui-lo com a sua confiança e nomeá-lo prefeito (mansur) de Damasco.

João Damasceno, ainda jovem e ajudante, gozava de muitos privilégios financeiros do pai, mas, ao crescer no amor ao Cristo pobre, deu atenção à Palavra que mostra a dificuldade dos ricos (apegados) para entrarem no Reino dos Céus. Assim, num impulso para a santidade, renunciou a todos os bens e os deu aos pobres, concedeu liberdade aos servos e fez uma peregrinação a pé pela Palestina. Preferiu São João uma vida de maus tratos ao se entregar às “delícias venenosas” do pecado.

Retirou-se para um convento de São Sabas, perto de Jerusalém, e passou a viver na humildade, caridade e alegria. Ordenado sacerdote, aceitou o cargo de pregador titular na Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém.

Uma herança, proveniente da tradição do Antigo Testamento, proibia toda e qualquer reprodução da imagem de Deus, sendo assim condenavam o uso de imagens nas Igrejas. O imperador bizantino Leão Isáurico empreendeu uma guerra contra o culto das imagens sagradas. Sendo assim, a pedido do Papa Gregório III, João Damasceno assumiu o papel de defensor das imagens, travando uma luta contra os iconoclastas. Sua principal arma era a teologia, e sua principal tese foi um dos fundamentos da fé cristã: a Encarnação. Bento XVI, em sua catequese, na Audiência geral de 6 de maio de 2009, recordou: “João Damasceno foi o primeiro a fazer a distinção, no culto público e privado dos cristãos, entre a adoração e a veneração: a primeira pode ser dirigida somente a Deus; a segunda pode ser utilizada como imagem para se dirigir a uma pessoa à qual presta culto”.

Escreveu inúmeras obras tratando de vários assuntos sobre teologia, dogmática, apologética e outros campos que fizeram de São João digno do título de Doutor da Igreja, declarado por Leão XIII, em 1890. Recebeu o apelido de “São Tomás do Oriente”, por sua contribuição dada à Igreja Oriental. Sua principal obra foi a “De Fide orthodoxa”, que enfatiza o pensamento da Patrística grega e as decisões doutrinais dos Concílios da época, sendo também um ponto de referência essencial para a teologia católica como para a ortodoxa.

Certa vez, os hereges prenderam São João e cortaram-lhe a mão direita a fim de não mais escrever, mas, por intervenção de Nossa Senhora, foi curado. Seu amor a Mãe de Jesus foi tão concreto, que foi São João quem tornou presente a doutrina sobre a Imaculada Conceição, Maternidade divina, Virgindade perpétua e Assunção de corpo e alma de Maria.

Este filho predileto da Mãe faleceu no dia 4 de dezembro de 749, no mosteiro de São Sebas, na Palestina.

São João Damasceno, rogai por nós!

Oração de São João Damasceno a Nossa Senhora:

“Saúdo-vos, Maria, esperança dos cristãos! Atendei a súplica de um pecador, que vos ama com ternura, que vos honra de modo particular e deposita em vós toda a esperança da sua salvação. Recebi de vós a vida. Vós me reconduzis à graça do vosso Filho e sois penhor seguro da minha salvação. Rogo-vos, pois, de livrar-me do peso dos meus pecados; dissipar as trevas do meu coração; reprimi as tentações dos meus inimigos e guiai a minha vida, de tal modo que eu possa, por vosso intermédio e sob a vossa proteção, chegar à felicidade eterna do Paraíso.”

Referência:

vaticannews.va
Livro ‘Santos de cada dia’ – Organização de José Leite, S.J. 

 

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